quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Mixórdia

"Tudo que não invento é falso."

"Só não existe o que não pode ser imaginado."

Os deslimites da razão
Entre o real e a imaginação
A fugacidade da cópia 
A aura da criação

Permita-se inventar

Toda criação é cópia (e vice-versa?)


Permita-se misturar


Nos momentos de crise que acontecem as maiores criações.

Quando não se tem nada é que se pode ter tudo.

É na escuridão que um pequeno feixe de luz pode reinar em radiância.


Permita-se ousar.

Manoel de Barros
Murilo Mendes
E eu




segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Estação

Condenados à eternidade
Estamos
Vestidos de alma
Como uma túnica tatuada ao corpo
Por dentro

Somos viajantes que percorrem estações
Andarilhos na estrada do tempo
A morte é como um abraço de vento

Por mais que saiba que decerto ela vem
Ele nunca se julga pronto
E tenta adiar
o irremediável retorno do inverno

Mas eu não...
Não tenho medo da escuridão
E não tento prolongar o verão
Sei que será em vão

E você?
Tem medo do que os seus olhos não podem ver?



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Borboletas de papel

Borboletas de papel
A fustigar o ar
Adentram em meu ouvido
E me fazem suspirar
Tão faceiras e atrevidas
Bem na tela vão brotar


Esvoaçantes
Benfazejas
Batem asas sem parar
Quando encostam em meu rosto
Um sorriso surge
Em formato de luar



Elas me sussurram tantos segredos...
Mas estes não posso contar
Senão me transformo em borboleta
E no horizonte infinito vou bem longe voar  

As borboletas são palavras em flor
Metamorfoseiam tudo quanto é dor
Esvoaçam coloridas
E alegram nossas vidas

Borboletas de papel
Pousam bem aqui no meu céu
E me fazem viajar

No eterno dom de poetizar.


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

(Des) contentamento

Eu consigo tatear meu desespero
Minha busca incansável
Minha sede
O horizonte que por mais que caminhe, nunca chego.

Eu corro mas não saio do lugar
Estendo os braços mas não consigo alcançar
Abro bem os olhos mas a luz não está lá.


Onde estará meu alento
Meu remédio
Meu contento?

Temos uma necessidade urgente de paz
Quanto mais se corre atrás
Mais ela se esvai
Como areia escorregante entre os dedos
Como água cambaleante sobre os rochedos
Como o vento que dança e escapa por caminhos estreitos


Nossa! Eu cheguei tão perto
Mas não pude passar...

Agora entendo:
Essa busca nunca terá fim
O descanso só virá quando eu partir.

E quem ficar se canse menos

Não corra
Caminhe e admire a beleza da paisagem
Segure nas mãos de quem caminha ao seu lado
E contigo divide o ar e o pão
Desfrute das coisas simples da vida
sem dar vazão àquela angustiante sensação
de que se está perdendo tempo

e lembre-se: nesta vida somos meros retirantes.


Desfaça-se de todas as máscaras e aceite a condição de desajuste
Você não precisa ser como os outros:
Eu também não.
Então...

Descanse

Sinta a brisa acariciando o rosto
E os desafetos?
“Releve. Seja leve. A vida é breve...”





Gangorra

- Oi, tudo bem?

- Você quer ouvir de verdade ou é apenas mais uma pergunta retórica dessas que fadigam os dias e perpetuam as máscaras?

- Moça, pode falar... Tenho ouvidos para ouvir e alma profunda pra escutar... Vou de novo indagar: Menina, como você está, por dentro, por detrás desse olhar cansado que a tristeza não consegue ocultar?


- Moço, sei não...
Ora bem, ora mal
Sempre em uma gangorra emocional...

Ora em cima, ora embaixo

Up
Down...

Um movimento constante
Um sobe e desce contínuo 

Não dá tempo nem de admirar o céu
a terra me chama, 
sedenta de vida,  
sedenta de lama.

Mas confesso que gosto dos ares.
Sou naturalmente assim: muito ar, pouca terra
Será que um dia alguém me conserta?

Meus pés têm dificuldade de tocar o chão
Rebeldes, às vezes parecem ter vontade própria, sei não...
Eles gostam de voar...

Sossega pé,
Sossega alma
Aquieta-te, coração

Deixa de sonhar 
que tudo não passa de ilusão

Sobe e desce
Desce e sobe

Esse é o meu movimento de vida
Ele me ensina que tudo passa
o vai e vem da história
o ciclo que sempre gira
já aprendi a esperar

Calma, garota...
a agonia no dia seguinte vai passar
o sol se tornará nuvem, que chuva, molha e seca
no dia seguinte o sol sempre volta a brillhar... Espera...

E assim vou 
em meu eterno gangorrear

Pode ser que um dia eu largue a gangorra pra lá
Encare meu outro e lhe diga: 
Vamos passear?



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Diálogo


-Queria inventar uma palavra que não existe, irmão.

- Que palavra, doida?!

- Na verdade um conceito. Ih, não me olha com essa cara que não é nerdice não. Sabe aquele sentimento de deslocamento, não pertencimento? Quando a gente não consegue encontrar um lugar no mundo no qual se encaixe?

-Ah, sei, também sinto isso.

- Existe uma palavra que defina esse nosso não-lugar no mundo?

- Em português, acho que não.

- Bora inventar?

- Vai adiantar nada! Todo mundo vai continuar sentindo e ninguém vai usar a palavra que você inventar.

- É... Tem razão. Acho que nem se eu tivesse terminado o doutorado. Tem que ter autoridade pra inventar palavra né?

- Tem. Tem que ter isso e uma cabeça meio doida que nem a nossa.

- Ah...Isso a gente tem.

- Mas esquece essa parada. Não somos peças pra encaixar.

- É... Verdade... E aqueles que acham que encaixam, ou não se deram conta de nossa peculiar inadequação ou tão mentindo pra si mesmos.

- É...Muitos mentem, verdade. Digo, mentira.

- Acho que por isso nunca gostei de quebra-cabeças... Sou uma desajustada, reconheço. 

- Somos. Você não está sozinha, embora pareça que sim. 

- Isso! Há um numeroso grupo dos que divergem , né não? Aqueles que não se enquadram. Que, por mais que tentem, não cabem no quadrado. Os que pensam fora da caixa, os desencaixados... Achava que isso era defeito, mas agora tô achando tão bonito...

- Irmã, vai dormir...

- Vou. É mesmo uma das coisas que mais gosto de fazer. Boa noite.




Ficcional

O que é de fato real?
Sorrisos-disfarce
Amor virtual
Afetos efêmeros
Amores fortuitos, e-ternos
Nós em desenlace
Me segure enquanto abrace
Mas não há braços...
Tudo é líquido
Gota: escorre, seca
Em meio à multidão
Fica a solidão (do nascimento e da morte)
Já parou pra pensar que você (e eu) (e nós)
Podemos ser apenas personagens de uma obra ficcional?
Você é real?...


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Dia nublado

A previsão anuncia:
Os olhos irão chover

Mas deles nada escorre
Não chove
Arde...


Cegos de tanto ver

A injustiça a mastigar o pão

Nossos sonhos a encarar o não

E a imensidão

Do que nunca foi luz

Hoje treva

(Não se atreva)

A (in)dignidade bate à porta

A esperança ainda não amanheceu morta


Diga sempre a verdade para si mesmo

Não se (des) minta

Ouve a voz do teu coração

Apenas (en) lute.

Lute!

Temer, jamais.



Só esteja do lado certo

(Se é que existem lados)


Encare a travessia

Mesmo que doa

Rasgue

Doe

Destoe


Não se vire

Enquanto vá

Não adormeça enquanto é noite

(D)esperte antes do raiar do sol.


A previsão anuncia:

Sinta os respingos do vento

De longe se ouve o lamento

Do ninho que se desfez

Da insensata lucidez

Que eclipsa

Os olhos dos que (trans)veem.






quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Poesia, ardor e água


- Não pergunto do que precisas. Quero saber do que realmente necessitas - indaga o gênio da lâmpada dos céus.

- Necessito da água, do ar e da dor.
Da água para saciar minha sede de mar.
De ar para não sufocar.
E de dor para a alegria valorizar.

- Percebo que és poeta, morena menina. Triste sina a de quem vê além da superfície. Faço tudo do meu jeito e não do teu.
Dou-te:
Ar-dor
Poesia, água e ardor.



E então ela segue em direção ao mar, com o peito ardendo em poesia.


terça-feira, 6 de setembro de 2016

- Pai, ensina-me a existência.
- Não posso. Eu só conheço um conselho.
- E é qual?
- É o medo, meu filho.
                                                      (Mia Couto)
...

- Mãe, mostra-me a coragem.
- Não posso. Só você pode buscar o caminho.
- E é como?
- Olha pra dentro de ti mesmo, encara teus medos e sorria para eles.

E o menino se vai, caminhando contra o vento.
No caminho, entende: o que ele sempre quis estava logo ali, do outro lado do medo.
                                  

                                                        (Lili Balonecker)



sexta-feira, 29 de julho de 2016

Olha

Olha pra mim
Quero o teu olhar mais atento
Aquele que me mira nos olhos
E me vê no profundo, por dentro

Tuas retinas crescem em mim
Me alcançam mesmo na escuridão
Velam meu sono, meus sonhos
me aliviam a solidão

Cego de tanto ver
Mesmo nas sombras, vou te querer
Apaga a luz e me abraça
Sentir teu calor já me basta



quinta-feira, 30 de junho de 2016

Amor de índio


Sagrada é toda forma de amor
Macias em pétalas de bem-querer
Um arco-íris furta-cor
Colorindo as estações
Um fio fino de memória
que costura nossa história

Somos irmãos
Perto ou distantes
Nascemos da mesma mãe
Vamos nos dar as mãos
Construir pontes
e romper os abismos.

Reveja os seus conceitos
Desfaça-se de seus preconceitos
O amor não é 
Nem nunca será

Sacrilégio






Das utopias


"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!"


Caminho em direção a elas
que, faceiras, se distanciam mais
Me contentarei em observá-las 
e esperar as boas-novas que o vento me traz

Quero o inalcançável
o ar que meus pulmões não alcançam
o cheiro dos perfumes inteiros
asas pra voar depois da estiagem
ser borboleta e repousar em flor
Quero de tudo o maior amor
Aquele irrealizável
Cujos sonhos não se desfazem...

Quintana e eu



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Arrependimento


Sim, filho
Pode sujar a água
Que o correr caudaloso do rio
Se encarrega de dez metros à frente
Limpar toda sujidão...

O mito só se desfez anos depois
E chorei pelas águas que eu não podia mais clarear.




quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Dores


Mãe, bem que poderiam inventar uma pílula que acabasse com dor de amor, né não? Porque acho que quase toda dor que não vem do corpo, mas da alma e coração, são tudo dor de amor.

Ah, mãe, não fala que sou muito nova pra entender dessas coisas... Quem te disse que não sei o que é o amor? Você acha que amor só nasce no coração de gente adulta? Pois eu discordo. Acho que toda pessoa já nasce com o amor estampado na alma, tipo uma tatuagem que não sai por nada. Só que tem gente que esconde, né?

Não, mãe, eu não tô pensando em fazer uma tatuagem não... Pode ficar tranquila. É claro que eu não faria uma coisa dessas escondido de você... Mas sabe que acho que são tantas marcas que as pessoas carregam, que às vezes elas ficam cansadas com o tanto de peso que carregam na alma?

Ah, mãe, eu falo tanto de alma porque eu acredito que ela exista sim, e que é imortal. Não, não tem nada a ver com religião... Acho sim que cada pessoa é na verdade uma alma e que tem gente com alma colorida, leve, outras com alma cinza e pesada. A minha? Ah, acho que parece um arco-íris, mas às vezes me pesa um bocado...

Mãe, não faz essa cara... Já te disse que às vezes gostaria de ter nascido pedra. Sim, pedra, pois pedra simplesmente existe e não sente. Acho que eu sinto demais as coisas... E isso dói um pouco, pesa...

Não, não quero ir mais na psicóloga não, mãe! Não me obriga... Gosto de gente que conversa, como se fosse um pingue-pongue. Esse lance de escancarar o coração e depois nem receber uma palavra em troca me deixa com a sensação de ter sido ludibriada... É, aprendi essa palavra na aula de Português. Você sabe que é a minha matéria preferida... Gosto de descobrir novas palavras, porque elas me ajudam a traduzir algumas coisas que sinto. Alguns sentimentos ficam presos porque não têm palavra que consiga explicar. Acho que a gente tinha que ter a liberdade de inventar palavras. Por exemplo, como se dá nome àquela sensação que a gente tem de já ter vivido algo? Ah, tem?! Não sabia... Ah, mãe, eu não sei francês... Não sei ainda, pois quero aprender todas as línguas do mundo, para não me faltarem mais palavras para explicar os sentimentos que pesam no peito...

Ah, mãe, calma, já tô indo... a louça bem que podia esperar... Não sei por que as pessoas têm essa urgência de lavar a louça logo depois que comem. Isso tinha que fazer mal. Alguém bem que podia provar que lavar louça depois da refeição fazia mal, igual a tomar banho... É, vovó falava isso, esqueceu? Não, mãe, não tô te enrolando não. É que bateu uma vontade tão grande de escrever um poema... Sobre o quê? Sobre beija-flor. Por quê? Ah, foi por causa de uma música danada de bonita que eu tava ouvindo. Você não deve conhecer não... Não! Não vou cantar, claro que não!

Quinze minutos?! Poxa, mãe, quinze minutos não dá para pensar nem em um título... A louça pode esperar meia hora...

Mãe, o que são “segredos de liquidificador”? Tentei imaginar um sentido para isso, mas não consigo... Ah, já sabe qual é a música que eu tava ouvindo? Assim ficou fácil, né? Você também adora essa música? Eu sei por quê... Porque era uma das músicas que papai mais ouvia...

Ah, mãe, não faz essa cara de tristeza que minha alma logo pesa... Tá bem, eu prometi que não ia mais falar nele, mas é que é muito difícil pra mim... Recordações são como ladrão, chegam assim de repente, sem avisar... Tá bem, eu prometo que vou tentar pensar mas não falar... Desculpa... É que você disse para a dinda que tinha perdoado... Aí eu pensei que... Tá bem, não falo mais nisso...

Vou cantar...

Pra que mentir
 Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor...”


Não, mãe, tô brincando! Não me belisca que dói...

Mãe, a última vez que você me beliscou desse jeito foi aquele dia que o moço da padaria olhou tão fundo no teu olhar que eu não resisti e dei escrito num papel o número do teu telefone pra ele... Não, mãe, eu não achei ele feio não... É que eu tenho uma mania de olhar pra dentro das pessoas e achei que ele tinha algo bem bonito por dentro.

Para de dizer que sou maluca, que me ofendo. Mas no fundo sei que eu sou diferente das pessoas desse mundo mesmo... Será que um dia vou encontrar alguém igual a mim para ser meu par? Acho que a gente acaba se procurando em outra pessoa, né? Acho que eu quero casar comigo mesma...

Sei que sou nova pra pensar em casamento, mãe. E nem acho que esse negócio de par seja verdade. Eu to brincando. Acho que a gente não nasceu metade, a gente já nasceu inteiro... É, e quando a pessoa fica falando que só vai ser feliz quando achar a outra metade da laranja, é bem capaz que nunca consiga um suco que preste... suco azedo, isso sim...

Mãe, queria que você soubesse uma coisa:  essa noite eu te ouvi chorando...   Não, não me diga que estava sonhando, pois sei que tua alma também pesa às vezes, mas você tenta disfarçar, tipo aquela tatuagem que a pessoa se arrepende de ter feito e depois tenta esconder... Não esconde não, mãe, chora, sente, deixa essa dor fluir...

“Você sonhava acordada / Um jeito de não sentir dor/

Toma esse poema que eu fiz... É pra você. E eu vou lavar essa louça agora, que ela já tá virando um fantasma a me assombrar... Acabou o detergente?!


Dores de parto
De idas
Feridas
Partidas

Sua dor
Não é maior que a minha
Nem menor

Dor não se mede
Se vence

Só sabe o tamanho de uma dor
Aquele que a sente

Dor não se prende

Chore
Extravase
Se arrebente
Sente tua dor
Porque a dor
Quando verdadeiramente sentida
Tem a liberação de partir...

Dores de parto
De idas
E vindas...



https://www.youtube.com/watch?v=AFjjUoW8j3o



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Poeminho do contra

"Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!"


Todos eles partirão
Levando rosas com espinhos,
Eles vagarão...
Eu devagarinho!"



Quintana e eu

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Benditos infortúnios

Caí
Tive medo
Dormi pra esquecer
Cansada do sono
Decidi procurar.


Saí em busca de mim...

Fiz da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sono uma ponte,
da procura um encontro...


                                                                                                                                  Sabino & eu



quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Metades

“Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim”

Essa falta de sentido
Essa ausência de cores
Carência de amores
Insossos sabores

Para onde iremos todos?
Por que corremos tanto?
Chegaremos longe?
Distantes de nós mesmos...
Corremos para quem? Para onde?
Um abraço nos aguarda?

Um café sobre a mesa
Uma leve tristeza
Um aroma no ar
No peito um pesar

Olho as paredes nuas
Minhas vontades cruas
O tempo que passa
O sonho se arrasta

Olho meus olhos no espelho
O tapete velho e vermelho
Por ele não passarei...

O luar que desperdicei
Os balões nos quais não voei
Os filhos que não terei
Estão todos lá
Num lugar entre o aqui e o acolá
Pego a alça de minha mala
E vou
Deixo a porta aberta
Propositalmente aberta
Quero uma vida incerta

Não temo mais o escuro
O lugar inseguro
Só sei que vou
Não sei para onde
(Nem quero saber)
Meu olhar não mais esconde
Meu desejo de desviver
De ser e não ser
De (inter)romper
Meus eus
Minhas máscaras gastas
Já não me servem mais
Vou pro mundo
Para onde não precise me distanciar de mim.


sábado, 3 de outubro de 2015

Amor-luz

O amor é luz
Mas também sombra
Inebria e traz calor
Me assombra ...

Meu coração inseguro
Meu medo do escuro
Dos desvãos velados
Dos segredos guardados

A luz dos seus olhos
Me diz pra não ter medo
Esqueço dos perigos
E me perco

Meu recanto, meu esconderijo
Meu canto, meu paraíso
Tua boca, teu sorriso
A luz que ilumina o mundo
Meu sentimento mais profundo

Minha perdição
Meu elo com o eterno
Quanto mais procuro
Mais te vejo em mim

Deixe que me julguem
Que me zombem
E me torturem
Que seja eterno enquanto dure

Olho para a luz dos seus olhos e percebo:
Quanto mais me perco em ti
Mais me acho...

Liliane Balonecker